As Lendas de Robert Johnson
Tuesday, April 19th, 2011
O Bluesman do Delta do Mississipi Robert Johnson (8 de Maio, 1911 – 16 de Agosto, 1938) estaria neste mês de maio completando 100 anos se estivesse vivo. Em sua curta carreira gravou 29 canções que se tornaram um dos maiores marcos da história do Blues. Suas canções ainda hoje são conhecidas graças as regravações de grandes nomes do Blues e da música mundial, como Rolling Stones, The Blues Brothers, Red Hot Chilli Peppers, White Stripes e Eric Clapton.
Clapton considerava Robert Johnson o mais importante cantor de Blues que já existiu. Além da versão roqueira da música Crossroads que Clapton gravou com sua banda “Cream” 1968, lançou em 2004 o disco Me & Mr Johnson e o DVD Sessions for Robert Johnson só com composições do Bluesman.
Mas a graça de curtir Robert Johnson vem das lendas a seu respeito. Com sua carreira e vida mal documentada, as informações sobre sua vida e morte são meras suposições, e ficam a cargo de alguns depoimentos a seu respeito.
O Bluesman Son House, que já tinha reconhecimento naquela época conta que fora morar em Robisonville, cidade de seu parceiro Willie Brown, e viu Robert Johnson ainda menino tocando gaita muito bem, mas no violão ele era um desastre. Alguns anos depois Johnson retornou a Robisonville tocando o violão de forma impressionante. Essa evolução repentina foi atribuída a um Pacto com o diabo que Robert Johnson teria feito. A lenda do pacto foi reforçada por algumas canções do próprio Robert Johnson, como “Crossroads Blues” e “Me and the Devil Blues”, e inspirou o filme Crossroads (1986) com Ralph Maccio e participação de Steve Vai.
Sua morte também é contraditória, em sua certidão de óbito não se encontra a causa da sua morte por falta de um médico. O Bluesman Sonny Boy Willianson conta que esteve tocando com ele em um Juke Joint (bares improvisados freqüentado pelos negros) e que ele recebeu do dono do local uma garrafa de uísque, que acredita-se que estava envenanado, pois Johnson havia flertado com a esposa do propietário. Sonny Boy afirma também que aconselhou que Johnson não tomasse, mas ele não deu ouvidos.
A única certeza a respeito de Robert Johnson são suas canções gravadas, onde demostra uma habilidade impressionante no violão. As gravações originais de Robert Johnson são uma obra prima do Blues, embora sejam bastante difíceis de se apreciar pela precariedade das gravações e pela sonoridade da época. Aconselho ouvir o trabalho de Clapton sobre a obra dele antes de ouvir as versões originais, com certeza vai lhe proporcionar uma visão diferente.
